Evento
Terceiro
dia: propostas para a relação das crianças com a TV
TV, crianças e jovens
A mesa sobre TV, Crianças e Jovens inicou com a apresentação de um depoimento em vídeo de Feny de los Angeles-Bautista, diretora da Fundação Filipina de Televisão para Crianças (PCTVF). Batibot, que significa pequeno mas robusto, é a palavra que descreve esta organização, que luta para sobreviver num mundo competitivo, de crises econômicas.
A PCTVF tem comprometimento com a Prix Jeunesse e também com a ABU (Asian Broadcasting Union - Sindicato das Emissoras Asiáticos). "No momento em que há muitos desafios, há muito o que aprender. Os parceiros ajudam a atingir a meta de fazer uma TV que respeite a criança" afirmou Feny.
A palestra seguinte foi de Diana Schulte Kellinghaus, diretora do Kinderkanal, canal alemão dirigido ao público infanto-juvenil e que está em primeiro lugar de audiência deste público. A experiência dessa emissora é uma herança da TV pública alemã, na questão dos critérios de qualidade. Os programas têm de anteder a critérios éticos e estéticos, além de não poderem veicular anúncios. A fonte de financiamento são os impostos pagos pelos alemães mensalmente para manter o canal.
Outra caracaterística apontada por Diana é a interatividade. Segundo ela, esse fator garante a fidelidade do espectador, exerce influência e provoca mudanças nos programas. Ela afirmou ainda que só podemos escolher entre uma variedade de ofertas no futuro se tivermos opções de escolha desde a infância. Sobre o futuro do Kinderkanal, ela afirmou "As crianças é que vão decidi-lo. O futuro do canal depende da aceitação de seus programas".
Maria Rita Khel, psicanalista e membro do TVer, fez a palestra seguinte sobre o que ela vê e o que pode acontecer na relação das crianças que assistem quase que exclusivamente à TV privada. Ela acha que a questão do conteúdo é talvez menos importante e menos grave que a própria relação massiva que a criança estabelece com a TV e o papel que esta ocupa na vida das crianças. "Talvez o que mais fica na relação não é o programa X, é o discurso publicitário".
Ela afirma que há uma dificuldade cada vez maior de se conseguir uma atitude de reflexão em relação à vida. Isso a leva a acreditar que a introdução da TV na escola seria uma catástrofe. "É quase como criar uma dependência cultural para o resto da vida. A criança deixaria de desenvolver outras habilidades que são importantes, como ler, por exemplo".
Patrícia Castaño, pesquisadora e produtora colombiana, falou da necessidade de usar a TV de forma responsável e que nesse sentido ela gostaria que da reunião saísse uma organização latino-americana sobre o assunto. "Sem dúvida precisamos fazer TV. Compartilhar experiências pode ser o estímulo para que comecemos a fazer".
Patrícia disse que um dos problemas em comum dos países latinos é a fragilidade dos canais e produtos para crianças. "É preciso de um mínimo de regulamentação para isso - horário, subsídios, investimento na TV para criança". Ela diz que estamos mandando uma mensagem de desesperança para as crianças. "Não podemos ficar só nas boas intenções".
Cobertura do evento___________________________________
04.08.99 - Palestras de abertura
05.08.99 - Mesas de discussão do segundo dia:
06.08.99 -Mesas de discussão do terceiro dia: