Evento


Segundo dia: Pluralidade de pontos de vista

A TV de Qualidade e a
Identidade Cultural

O segundo dia de palestras foi marcado pela apresentação comovente da sul-africana Firdoze Bulbulia, presidente da Children's Broadcasting Foudation for Africa, que participou do bloco sobre a TV de Qualidade e a Identidade Cultural.

A tarde foi dividida entre os temas: A TV e a Educação das Crianças e Legislação, Controle e Ética. O debate foi participativo e os painéis demostraram pontos de vistas diferentes sobre a mesma temática. Cada palestrante enfocou na sua vivência, na Austrália, Inglaterra, Chile, África do Sul, Brasil, Colômbia e Estados Unidos, fazendo o público presente comparar as múltiplas realidades e a complexidade do tema TV de Qualidade.

Firdoze Bulbulia, diretora e produtora de programas de televisão, escritora e educadora da África do Sul, comoveu o público ao declarar que enquanto discutimos a qualidade da TV, muitas crianças africanas nunca assistiram a programa algum. Segundo Firdoze, as imagens da África do Sul rural ainda estão escondidas. Ela mostrou um vídeo sobre a influência das TVs estrangeiras no cotidiano do sul-africano. Há depoimentos de crianças insatisfeitas com esta realidade: elas falam da falta de identidade cultural nas programações. A palestrante apresentou alguns trechos da Carta das Crianças Sul-Africanas, um documento baseado na Convenção dos Direitos da Criança, das Nações Unidas, que foi inteiramente elaborada por jovens sul-africanos, em 1992.
Veja aqui texto da Firdoze

Lesley Osborne, Australian Broadcasting Authority, apresentou a experiência da Austrália na criação de uma TV identificada com os costumes de seu povo. Para ela, a televisão de qualidade não é a que promove a educação formal, mas a que contribui para que a criança encontre a sua colocação no mundo. Na Austrália 70% dos programas são reservados à produção local, e há um controle da publicidade no horário em que as crianças assistem televisão. Para ela, um produto de qualidade precisa da estética e da ética.

Do lado brasileiro o professor Arlindo Machado, da USP, afirmou que a discussão de qualidade sobre programas de TV deveria deslocar-se de eixo, do que é ruim para o que é bom. "Por que a TV deve pagar sozinha a culpa da mercantilização generalizada da cultura?" questionou Arlindo. Ele afirmou também que a discussão desceu a um nível de ingenuidade quando se costuma afirmar que a TV reflete as mazelas da sociedade. "A TV é o que nós fazemos dela", completou.

A chilena Maria Dolores de Souza Meyerholz, coordenadora de Estudos Qualitativos de Audiência do Conselho Nacional de Televisão, apresentou sua pesquisa feita em conjunto com a Escola de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Chile, que analisa as diferentes dimensões da relação das crianças com a televisão em seu país. A pesquisadora destacou o impacto emocional e a influência da televisão como instrumento educativo.

Cobertura do evento___________________________________

Início

04.08.99 - Palestras de abertura

05.08.99 - Mesas de discussão do segundo dia:

06.08.99 -Mesas de discussão do terceiro dia:

Encerramento