Evento
Encontro
abre com a questão: o que é TV de qualidade?
O que é qualidade da TV? Esta pergunta foi lançada na noite de ontem, dia 4 de agosto, na abertura do Encontro Latino-Americano Sobre TV de Qualidade - "A TV que vemos, a TV que queremos". Os cerca de 270 participantes estão desafiados a respondê-la neste evento que acontece em São Paulo e vai até sexta feira.
Na abertura, Beth Carmona, idealizadora e organizadora do evento, explicou que este encontro dá continuidade a discussões que surgiram em uma série de eventos sobre televisão e criança. O primeiro deles foi o evento TV e Infância, realizado em 1992. Depois aconteceram duas conferências mundiais sobre o tema, cinco workshops no Brasil, a criação do grupo TVer e um simpósio organizado pela ECA/USP. Somados a esses eventos, Beth observa a manifestação dos telespectadores por meio de cartas aos jornais, reclamando da baixa qualidade da programação.
Para encerrar sua fala, Beth Carmona convidou o público a refletir sobre a questão da força do audiovisual nas nossas vidas, que faz com que o consumo seja desenfreado, sem grandes eleições ou escolhas. "Como podemos resolver a questão da qualidade num meio tão voraz e com consumidores tão pouco seletivos? Como conciliar os interesses das empresas com outros mais nobres? Por que não podemos ajudar a criança, e por que não usar a TV de forma construtiva. E quais os parâmetros de qualidade?"
Esta última pergunta foi repetida por Flávio Ferrari, diretor do IBOPE. Para ele, o instituto é como um professor chato que fica dando notas para os alunos. Ferrari divulgou uma pesquisa feita com telespectadores sobre o que é qualidade. As respostas variam dependendo da pessoa. De um modo geral têm a ver com o conteúdo, quando as pessoas se sentem enriquecidas. Sobre a motivação para assistir TV, duas são as principais: entretenimento e informação.
Outra pesquisa mostrada por Ferrari foi a dos 10 programas mais assistidos. Uma foi feita com adultos e outra com crianças. Os resutados são bastante semelhantes. Dos 10 programas mais assistidos por crianças, apenas três são considerados programas infantis.
Três questões foram lançadas por Ferrari no encerramento de sua palestra. A primeira é sobre a postura das pessoas no debate, como de um grupo dizendo que acha que sabe qual é a melhor programação, ou seja, " 'nós' sabemos o que é bom para o 'povo'". A segunda é se a medição pela audiência não seria um instrumento democrático de avaliação da programação. A terceira é se estamos de acordo com relação do que é essa "qualidade".
Ferrini acredita que para essa discussão é útil resgatar um conceito utilizado na engenharia de produção, em que a qualidade é adequação ao uso. Ele afirma que é melhor definir primeiro o que se espera da TV (o uso) para depois decidir o que é uma programação de qualidade (adequação).
A última palestra da noite foi a do Secretário de Estado dos Direitos Humanos, José Gregori, que explicou como está acontecendo a discussão sobre a qualidade da programação das emissoras de TV.
As conversas com os donos de emissora começou no final do ano passado e até agora apenas a Rede Bandeirantes apresentou um decálogo sobre qualidade da TV. A motivação para que os Direitos Humanos entrem nesse debate é pela prioridade em diminuir a violência. Para isso, segundo ele, é preciso atuar em vários setores que têm influência, entre eles a TV. "Se a TV não está contribuindo para a violência, não está também sendo utilizada para diminuí-la no país".
Gregori estabeleceu o prazo de 20 de setembro para cada emissora apresentar seu manual de qualidade, primeiro passo para elaboração de um código de ética. Caso isso não aconteça, o governo vai colocar isso na Lei de Comunicação Eletrônica de Massa, que está sendo elaborada pelo ministro Pimenta da Veiga.
Cobertura do evento___________________________________
04.08.99 - Palestras de abertura
05.08.99 - Mesas de discussão do segundo dia:
06.08.99 -Mesas de discussão do terceiro dia: